Arquivo do mês: novembro 2011

RECORTES – O DUENDE DA PONTE, PATRÍCIA RAE WOLFF, ED. BRINQUE-BOOK

Hoje era o primeiro dia de aula e Teo não queria se atrasar. Engoliu o café da manhã, pegou a mochila e despediu-se da sua mãe com um beijo.
– Tenha um bom dia – ela falou – e cuidado com o duende.
– Sim, mamãe – respondeu Teo.
Ele atravessou o campo, subiu o morro e desceu pelo longo caminho. Quando chegou na ponte, parou e olhou em volta.
No momento em que Teo pisou na madeira apodrecida da ponte, um duende medonho e terrível saltou à sua frente.
– Essa ponte é MINHA! – rosnou o duende.
– Mas eu preciso atravessar a ponte para ir à escola – disse Teo.
– Por quê? – perguntou o duende.
– Para ficar inteligente.
– Essa não é uma boa razão – falou o duende.
– Eu tenho que ir à escola porque minha mãe mandou – disse Teo.
– Ah – disse o duende – ESSA é uma boa razão.
Teo começou a atravessar a ponte.
– Espere! – disse o duende, pulando à frente de Teo – Esta ponte é MINHA e tem pedágio. Você tem de pagar um centavo para cruzá-la.
Teo pensou um pouco. Não podia pagar um centavo todos os dias para ir à escola. Ele teria de entrar em acordo com o duende.
– Tenho uma ideia – disse Teo – Vamos brincar de adivinha. Se você responder certo, eu não atravesso a ponte. Mas se eu responder, atravesso de graça hoje.

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Recortes – Crônica “Onde já se viu?”, Tatiana Belinky, Ed. Ática

Uma tarde de inverno, estava lá eu, na Rua Barão de Itapetininga, mexendo nas estantes de uma livraria. (Não consigo passar poruma sem entrar para fuças no meio dos livros. Desde que eu tinha quatro anos de idade – o que faz muito tempo -, livro para mim é a coisa mais gostosa do mundo. A gente nunca sabe que surpresa cai encontrar entre duas capas. Pode ser coisa de boniteza, ou de tristeza, ou de poesia, ou de risada, ou de susto, sei lá. Um livro é sempre uma aventura vale a pena tentar!)

Pois bem, estava eu ali, muito entretida, examiando os livros, quando de repente senti que alguém me puxava pela manga. Olhei para baixo e vi um menino – um garotinho de uns nove ou dez anos, magrelo, sujinho, de roupa esfarrapada e de pé no chão. Uma dessas crianças que vivem largadas pela cidade, pedindo esmola.Ou, no melhor dos casos, vendendo chicletes ou dropes, essas coisas. Eu já ia abrindo a bolsa para me livrar-me logo dele, quando o garoto disse:

– Escuta, dona… (Naquele tempo, nínguém chamava a gente de tia: tia era só irmã do api ou da mãe.)
– O quê? – falei. – O que você quer?
– Eu… dona, me comprar um livro? – disse ele baixinho, meio com medo.

Dizer que fiquei surpresa é pouco. O jeito do menino era de que precisava de comida, de roupa, isso sim. Duvidei do que ouvira:

– Você não prefere algum dinheiro? – perguntei.
– Não, dona – disse o garoto, mais animado, olhando-me agora bem nos olhos. – Eu queria um livro. Me compra um livro?
– Escolha o livro que você quiser – falei.

***

O menino acabou  se decidindo por um livro de aventura, nem lembro qual. Mas me lembro da minha emoção quando lhe entreguei o volume e vi seus olhinhos brilhando ao me dizer um apressado “obrigado, dona! antes de sair em disparada, abraçando o livro aprtado ao peito.

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RECORTES – O TRISTE FIM DO PEQUENO MENINO OSTRA E OUTRAS HISTÓRIAS, TIM BURTON, ED. A GIRAFINHA

Senhor e senhora Smith tinham uma vida maravilhosa.
Formavam um feliz e normal casal.
Um dia receberam uma notícia que fez do Senhor Smith um homem feliz.
A senhora Smith seria mãe,
o que faria dele pai.
Mas algo deu errado com seu raio de alegria,
não era de todo humano,
era, na verdade, um garoto robô.

(…)

O único momento que parecia vivo
Era quando plugado por uma extensão
em uma tomada na parede

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